sábado, 27 de abril de 2013

Aguerrida Brasil (publicado originalmente em 15.11.12)


Ainda sob o efeito do final da novela Avenida Brasil, gostaria de compartilhar algo com vocês: não vou ficar aqui falando da trama, comentando o final e discutindo a qualidade do autor (até porque não acompanhei a novela). Porém, uma coisa me chamou muito a atenção: a entrevista que o grande ator Marcos Caruso (que interpretou o Leleco) concedeu durante a festa de encerramento da teledramaturgia em questão.
Questionado sobre o sucesso de seu personagem, Caruso, humildemente, citou: “Existiam atores mais propensos a esse trabalho do que eu. Sou paulistano, neto de italianos, não tenho nada a ver com o subúrbio carioca, não bebo cerveja, não jogo sinuca, não luto boxe, não uso camiseta regata, nasci com peito de pombo, sou muito franzino, muito magro. Porém, a falta de compatibilidade fez com que eu fosse atrás de pesquisa. Tive que me desdobrar para encarnar o personagem”.
Creio que essas palavras não poderiam passar batidas entre nós, profissionais de RH, tanto para àqueles que focam Treinamento & Desenvolvimento, como aos que trabalham com Recrutamento & Seleção.
Nesse último caso (R&S), por exemplo, quantos candidatos com um excelente potencial nós já perdemos pelo fato de estes não terem a vivência, ou a experiência necessária? Por que nem sequer paramos para pensar na possibilidade de dar a oportunidade para que esse possível funcionário se desenvolva conosco? Que ele faça como Caruso e se desdobre para estar à altura de desempenhar o seu papel na organização?
Em Treinamento & Desenvolvimento é a mesma coisa: fazemos o Levantamento das Necessidades de Treinamento, ou seja, apagamos o incêndio! Mas não prevenimos que ele aconteça. Apenas agimos no foco do problema. O desafio da multifuncionalidade às vezes é deixado em segundo plano. Pra não citar o fato de explorarmos o potencial de nossos colaboradores, visando até um Plano de Carreira.
Em síntese, deixo a pergunta para reflexão: Será que se fossemos da produção da novela (ou seja lá quem convoca os atores), nós chamaríamos um candidato tão fora do perfil necessário para a vaga, como foi o caso do Marcos Caruso? O sucesso de Leleco prova que nem sempre estamos certos naquilo que tomamos como padrão, não é verdade?

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