sábado, 27 de abril de 2013

Invista em Você!


Quem lê o título já deve estar pensando que este post vai tratar de formação acadêmica, investimento em curso de línguas etc. Mas não é só assim que podemos investir em nós mesmos, profissionalmente falando.
Conforme prometido, estou aqui de volta, hoje, para divagar a respeito de um tema que é muito tenebroso por muitos: como pedir demissão?
Antes de mais nada, siga a máxima “em time que está ganhando, não se mexe” pois, se você está feliz com a posição que ocupa, na empresa que está, com os vencimentos que recebe, então por que mudar?
Agora, se um desses fatores está desfavorável ou se você está cansado da sua zona de conforto e quer conhecer mais sobre o mundo lá fora, é hora de se aventurar e partir pra outra.
Mas o objetivo deste post e desmistificar alguns fatores. O principal deles, quando o profissional quer migrar para uma outra empresa, é: “Vou conversar com o meu chefe para ver se a gente faz algum acordo!”.
Se você atua em uma empresa que não objetiva o lucro, boa sorte em conseguir o acordo. A ironia se deve ao fato de que, cada vez menos empresas estão fazendo acordo na demissão dos seus funcionários. Uma porque é ilegal e outra porque não há ganho para nenhuma das partes, uma vez que, geralmente, nestes acordos, você tem que devolver a multa de 40%. A única “vantagem” seria a possibilidade de saque do FGTS (que eu coloquei entre aspas porque o dinheiro lá retido vai rendendo juros, ou seja, nem é tão vantajoso assim).
Então, exceto o fato de você ser um profissional do Seguro Desemprego (que também é um benefício cada vez mais difícil de pegar), se você realmente está querendo migrar de uma empresa para a outra, a primeira dica é não sair da empresa em que você está sem ter algo em vista (de preferência algo que já esteja certo).
Feito isso, voltamos ao título deste post: Invista em Você! Mesmo que o salário seja menor, se você vê possibilidade de crescimento nesta nova empresa, vá em frente. Com o tempo você recupera suas verbas rescisórias e tudo aquilo que deixou para trás quando propôs essa mudança para a sua carreira.
Ainda nos tempos de faculdade, uma professora fez essa analogia que eu guardo comigo até hoje: “As vezes é melhor a gente pagar um valor mais alto em um pedágio de uma via em que poderemos andar a 120km/h do que optar pela outra que nem tem pedágio, mas difícilmente vamos passar dos 60km/h, sem considerar as condições que depreciam nossos pneus e nossa suspensão”
Então, fique ciente de que cada vez menos empresas estão fazendo demissões a torto e direito e procure se inserir nesta filosofia. Afinal, entre fazer um acordo ou pedir demissão, é preferível deixar a porta anterior bem aberta.

Faça as Pazes com seu Chefe


Sabe aquele momento em que você falou o que não devia? Ou então quando comprometeu um resultado em uma reunião? Ou até quando o chefe te olha torto porque (agora que está entrando o friozinho a dificuldade de acordar cedo aumenta) você tem chegado com atraso?
Ou então, quando você não fez nada disso, mas começa a perceber certa ameaça, quando o chefe começa a lhe tratar com indiferença, para de passar determinações diretamente à você, não lhe dá dicas para evoluir etc?
Esses são alguns (entre outros tantos) sintomas de que as coisas não estão muito bem. E como mudar isso? Seguindo os 5 passos a seguir:
NÃO ESPERE A POEIRA BAIXAR – Talvez, se você ficar no seu canto, entrar no ostracismo, alguma decisão (inclusive sua rescisão) pode ser tomada sem a sua anuência, pois a leitura que o chefe vai fazer é a típica “não está nem aí!”. Então, chame o chefe para uma reunião mesmo que informal (um cafezinho, por exemplo) e disponibilize-se. Só não faça isso via e-mail. Geralmente os líderes tem “n” e-mails em sua caixa e, se ele esquecer de responder ao seu, o tiro sai pela culatra;
RECONHEÇA SUA FALHA – Não chegue para essa reunião com lamentações ou culpando a terceiros. Faça uma breve análise, bem auto-crítica, sobre o seu recente desempenho e diga ao chefe em que pontos você precisa melhorar e onde (sem envolver terceiros) precisa do apoio da sua liderança. Talvez, nas entrelinhas, ele entenda os motivos de sua desmotivação. Mas não tenha isso como um propósito. Deixe que ele chegue a esta conclusão sozinho;
ESTABELEÇA METAS – Assim que seu chefe topar dar o apoio que você necessita, estabeleça metas em conjunto: em quanto tempo você consegue desempenhar tal atividade? Qual o custo? Quanto se pretende economizar? Em quanto a produtividade tende a melhorar? Pense que você deve sair satisfeito(a) com o seu novo desafio e o seu chefe satisfeito com a sua proposta;
ERRAR UMA VEZ É HUMANO, PERSISTIR NO ERRO… – Agora que você já fez uma auto-crítica, deixou seu chefe animado com o que pretende desempenhar etc, pise em ovos! Nem pense em chegar atrasado(a), pegar aquele atestado médico de costume, comprometer algum resultado e tudo aquilo que já foi citado aqui. Pense que esse é o momento de mudar o seu “rótulo” e subir no conceito da alta administração; e
AVALIE OS RESULTADOS – Se feito tudo isso, os resultados foram alcançados, você tem apresentado uma postura mais assertiva e eliminou todos os argumentos que depunham contra você e, mesmo assim, continua insatisfeito(a), reflita se não é o momento de buscar novos desafios, respirar outros ares. Um profissional resignado queima seu nome no mercado. É melhor mudar de emprego do que ficar sem referências positivas.
No próximo post pretendo abordar este tema: como mudar de emprego. Caso você tem alguma dúvida sobre este ou sobre o próximo assunto, deixe seu comentário aqui abaixo ou então consulte-me no twitter, em @rpelegrim.

Como Pedir um Aumento?


Você começa a ficar insatisfeito de trabalhar, trabalhar e não receber a contra-partida. Vai cobrar um reconhecimento (que, em seu ponto de vista, é mais do que justo) e recebe um não, como o antigo punk.
Mas você sabe como fazer para chegar lá? Quais são os atalhos etc? Vamos a eles:
  • Antes de mais nada, é fundamental saber a política de Cargos & Salários da sua empresa. Existem organizações que não promovem ninguem antes dos 2 anos de casa, por exemplo. Procure o RH para uma melhor orientação. Se você estiver dentro da política;
  • Solicite uma reunião de feedback (sem citar a palavra “aumento”). Questione seu chefe / líder sobre o que é preciso fazer para atender a todas as expectativas. O que precisa ser melhorado? O que deve ser apenas aperfeiçoado? Quais são seus pontos negativos e positivos? Com posse desse feedback;
  • Esvazie os argumentos que depõem contra você. Isto feito, seu campo está livre para pedir um aumento. Ainda corre o risco de ouvir um não? Claro que sim, mas você terá diminuído essas chances. Leve em consideração, tambem.
NUNCA PEÇA UM AUMENTO QUANDO…
  • Estiver se sentindo pressionado(a) pelo fluxo de trabalho ou pelo seu superior. Prove primeiro que você dá conta do recado e atende à demanda. Caso contrário, a impressão que você vai passar é a de que só consegue fazer algo se for recompensado. Provavelmente, seu chefe vai querer procurar outra pessoa. Assim como;
  • Quando tiver sido advertido (mesmo que informalmente) por causa de algum comportamento: atrasos consecutivos, erros em relatórios, falta de foco etc. Tenha a noção que pode não ser o momento certo tambem quando;
  • A empresa estiver passando por dificuldades financeiras. As vezes o seu líder quer reduzir custos e, entrar na sala dele pedindo um aumento, nesse momento, é sentenciar o seu fim na organização.
ENTÃO, CASO NÃO SEJA POSSÍVEL PEDIR UM AUMENTO NAQUELE MOMENTO…
  • Procure arrumar uma circunstância para que, em médio prazo, isso seja possível. Por exemplo, se você estiver dando conta do seu serviço, solicite novas demandas (não tenha medo de anunciar que você está com tempo ocioso). Isso feito;
  • Tente agendar uma data (entre 3 ou 6 meses) para voltar a conversar sobre um possível aumento.
JAMAIS ENFIE O PÉ NA JACA…
  • Pedindo uma equiparação salarial em relação aos demais colegas, por exemplo. Trate o seu caso como único, como se apenas você trabalhasse na empresa. Líderes não gostam de pessoas que se comparam a outras ou “entregam” os defeitos dos outros para conseguir algum benefício. Isso soa como;
  • Se você estivesse fazendo algum tipo de chantagem, como por exemplo: se eu não conseguir aumento, vou ao sindicado reclamar que ganho menos do que as pessoas que fazem o mesmo que eu. E nunca estabeleça condições;
  • Se você dizer algo, como: se eu não receber aumento em tantos meses, vou embora, a empresa vai pensar: fique a vontade, não vamos te segurar (a não ser que você seja a pedra fundamental na posição que ocupa, mas, mesmo assim, muito cuidado com essa análise. As vezes achamos que somos fundamentais, mas o chefe, não!
Então, como tudo na vida, planeje mais esse passo em sua carreira e sucesso!
Caso tenha alguma dúvida ou queira falar sobre alguma situação, escreva aí nos comentário ou siga-me no Twitter em @rpelegrim.

Formação de Base


Quantas vezes já não ouvimos reclamações, principalmente de professores universitários da área de exatas, de que o ensino de base no Brasil é extremamente fraco e que os alunos chegam à universidade sem o preparo ou conhecimento ideal?

Na área de Treinamento & Desenvolvimento é a mesma coisa: às vezes nos preocupamos em dar treinamentos de Assertividade, Relacionamento Interpessoal, Liderança… E nos esquecemos de citar coisas básicas, aquelas que parecem mais óbvias, que acabam passando despercebido.

Mas, se resolvermos investir em treinar o pessoal quanto aos assuntos mais corriqueiros, precisamos ter alguns cuidados, pois, muitas vezes, alguns de nossos colaboradores já fazem exatamente o que está sendo pedido em treinamento e, por isso, o treinamento vai se tornar chato e monótono.

Neste caso, invista em novas técnicas: passe algumas dicas pertinentes ao assunto, utilize dramatizações, vídeos que explicitem a situação, enfim! Trate de deixa o treinamento mais hedonístico, mais leve.

Eu ainda costumo convocar também os gestores para esses treinamentos, pois assim, eles serão os responsáveis em fiscalizar e acompanhar se os colaboradores realmente estão atuando conforme o solicitado em treinamento.

Se esses treinamentos forem aliados à Gestão de Competência, por exemplo, melhor ainda! Principalmente se a Avaliação de Competência da sua empresa for aberta e transparente, de forma que o colaborador compre a idéia de que precisa desenvolver determinada habilidade e você está fazendo o papel de facilitador disso.

Para dar um exemplo de treinamento básico, sobre situações que muitas vezes deixamos passar, postei esse vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=VHAlVspNUSc Espero que gostem.

Aguerrida Brasil (publicado originalmente em 15.11.12)


Ainda sob o efeito do final da novela Avenida Brasil, gostaria de compartilhar algo com vocês: não vou ficar aqui falando da trama, comentando o final e discutindo a qualidade do autor (até porque não acompanhei a novela). Porém, uma coisa me chamou muito a atenção: a entrevista que o grande ator Marcos Caruso (que interpretou o Leleco) concedeu durante a festa de encerramento da teledramaturgia em questão.
Questionado sobre o sucesso de seu personagem, Caruso, humildemente, citou: “Existiam atores mais propensos a esse trabalho do que eu. Sou paulistano, neto de italianos, não tenho nada a ver com o subúrbio carioca, não bebo cerveja, não jogo sinuca, não luto boxe, não uso camiseta regata, nasci com peito de pombo, sou muito franzino, muito magro. Porém, a falta de compatibilidade fez com que eu fosse atrás de pesquisa. Tive que me desdobrar para encarnar o personagem”.
Creio que essas palavras não poderiam passar batidas entre nós, profissionais de RH, tanto para àqueles que focam Treinamento & Desenvolvimento, como aos que trabalham com Recrutamento & Seleção.
Nesse último caso (R&S), por exemplo, quantos candidatos com um excelente potencial nós já perdemos pelo fato de estes não terem a vivência, ou a experiência necessária? Por que nem sequer paramos para pensar na possibilidade de dar a oportunidade para que esse possível funcionário se desenvolva conosco? Que ele faça como Caruso e se desdobre para estar à altura de desempenhar o seu papel na organização?
Em Treinamento & Desenvolvimento é a mesma coisa: fazemos o Levantamento das Necessidades de Treinamento, ou seja, apagamos o incêndio! Mas não prevenimos que ele aconteça. Apenas agimos no foco do problema. O desafio da multifuncionalidade às vezes é deixado em segundo plano. Pra não citar o fato de explorarmos o potencial de nossos colaboradores, visando até um Plano de Carreira.
Em síntese, deixo a pergunta para reflexão: Será que se fossemos da produção da novela (ou seja lá quem convoca os atores), nós chamaríamos um candidato tão fora do perfil necessário para a vaga, como foi o caso do Marcos Caruso? O sucesso de Leleco prova que nem sempre estamos certos naquilo que tomamos como padrão, não é verdade?